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Jeremias 7-9O Livro (OL)

Religião falsa é inútil

Então o Senhor disse a Jeremias: Vai até à entrada do templo do Senhor e dá esta mensagem ao povo: Ó Judá, ouve a mensagem de Deus. Ouçam-na, todos vocês que aqui vêm para adorar. 3/4 O Senhor dos exércitos celestiais, o Deus de Israel, diz: Apesar de tudo, se deixarem os vossos maus caminhos, deixar-vos-ei ficar na vossa terra. Mas não se deixem enganar por aqueles que vos dizem que se o templo do Senhor está aqui, então Deus nunca deixará que Jerusalém seja destruída. 5/6 Só sob estas condições é que poderão ficar: Acabarem com os vossos pensamentos e os vossos actos maus, serem honestos para com os outros, e pararem de explorar os órfãos, as viúvas e os imigrantes. Parar com os assassínios, o derramamento de sangue, e deixar de adorar ídolos, tal como fazem agora, para o vosso próprio mal. Então, e só então, vos deixarei ficar nesta terra que dei aos vossos antepassados para que a possuíssem para sempre.

8/10 Pensam vocês que, devido ao facto do templo estar aqui, nunca hão-de sofrer? Não sejam loucos, enganando-se a si mesmos! Como é que podem pensar que continuando a roubar, a matar, a cometer adultérios, a mentir, a adorar Baal mais todos esses deuses estranhos e novos que arranjaram, e continuar a vir aqui, a pôr-se diante de mim no meu templo cantando — Estamos salvos, somos livres! — Só para poderem voltar, de consciência descansada, a fazer as mesmas abominações? 11 Acaso será que considerem esta minha casa, este templo que se chama pelo meu nome, como uma caverna de salteadores? O que eu tenho visto é entrar aqui toda a espécie de maldades!

12 Vão até Silo, a povoação que logo no princípio honrei com o meu nome, e vejam o que lhe fiz por causa de toda a maldade do meu povo Israel. 13 E agora, diz o Senhor, farei a mesma coisa aqui, por causa de toda a maldade que têm praticado. Vezes e vezes sem conta vos falei sobre isto, levantando-me cedo e chamando-vos a atenção, mas vocês recusaram ouvir-me, e sequer, responder-me. 14/15 Sim, com certeza destruirei este templo tal como fiz em Silo — este templo que se chama pelo meu nome e no qual confiam para obter socorro, este lugar que vos dei a vocês e aos vossos antepassados. Mandar-vos-ei para o exílio, tal como aconteceu com os vossos irmãos, o povo de Efraim.

16/17 Não ores mais por este povo, Jeremias. Não chores por eles, não faças oração a favor deles, rogando-me que os ajude, pois que não te ouvirei. Não vês tu o que estão a fazer pelas ruas de Jerusalém e pelas cidades de Judá? 18 Não admira que seja tão grande a minha ira! Vê só como os miúdos vão buscar lenha para os pais acenderem o fogo, a fim de as mulheres poderem amassar a farinha e fazerem bolos para oferecerem à Rainha dos Céus, e a todos os outros seus ídolos-deuses! 19 Será só a mim que eles ferem?, pergunta o Senhor. Não será também a eles próprios, aviltando-se dessa maneira, com coisas tão vergonhosas? 20 Por isso assim diz o Senhor: Derramarei a minha cólera, sim, a minha fúria sobre este lugar — gente, animais, árvores e demais vegetação serão consumidos pelo fogo inextinguível da minha severidade.

21/22 O Senhor dos exércitos celestiais, o Deus de Israel diz: Para longe com todos os vossos sacrifícios e ofertas! Não foram nem ofertas nem sacrifícios aquilo que pedi aos vossos pais quando os conduzi para fora do Egipto. Não era esse o aspecto essencial do que lhes ordenava. 23 O que eu lhes dizia era: Obedeçam-me e serei o vosso Deus, e vocês serão o meu povo. Façam simplesmente o que eu vos disse e tudo vos correrá bem!

24 Mas não quiseram ouvir. Continuaram fazendo tudo o que lhes apetecia, seguindo o curso dos seus próprios pensamentos rebeldes e perversos. Assim foi que recuaram, em vez de progredirem. 25/26 Desde o dia em que vossos pais deixaram o Egipto, até agora, continuei a enviar-lhes os meus profetas, dia após dia. Mas não estiveram na disposição de os ouvir, nem sequer fizeram esforço por isso. São duros e obstinados e rebeldes — piores ainda do que os seus pais.

27/28 Diz-lhes tudo o que lhes farei, mas não esperes que te ouçam. Grita bem alto os teus avisos, mas não contes que te respondam. Diz-lhes: Esta é uma nação que recusa obedecer ao Senhor seu Deus, que recusa ser ensinada. E assim continua a viver uma mentira.

29 Ó Jerusalém, rapa a tua cabeça de vergonha e chora sozinha sobre as montanhas; porque o Senhor rejeitou e esqueceu o seu povo por causa da sua ira.

O vale da Matança

30/31 O povo de Judá pecou perante os meus olhos, diz o Senhor. Puseram os seus ídolos ali mesmo, no meu próprio templo, poluindo-o. Construíram um altar chamado Tofete, no vale de Ben-Hinom, e ali queimaram no fogo os seus próprios filhos e filhas, em sacrifícios aos seus deuses — uma coisa tão terrível que nem sequer me passava pela mente, e que nunca eu teria permitido. 32/34 Vem o tempo, diz o Senhor, em que o nome do vale não será mais Tofete, ou vale de Ben-Hinom, mas antes vale da Matança; porque haverá ali tantos mortos a enterrar que nem se encontrarão sepulcros que cheguem para pôr todos os corpos; terão de amontoar os cadáveres no vale. Os corpos do meu povo servirão de pasto às aves de rapina e aos animais selvagens, e não haverá ninguém ali para os enxotar. Acabarei com as alegres canções e os risos que se ouvem nas ruas de Jerusalém e nas cidades de Judá, assim como com as vozes dos noivos e das noivas. Porque a terra ficará numa desolação.

Então, diz o Senhor, o inimigo quebrará os selos dos túmulos dos reis de Judá, dos governantes, dos profetas e do povo; pegará nos seus ossos e os espalhará pelo chão, à luz do Sol, à claridade da Lua e das estrelas — essas coisas que eram os deuses do meu povo! — a quem eles amaram e prestaram culto. Esses ossos não tornarão a ser apanhados e sepultados, mas antes espalhados como estrume pelo chão. E a gente desta má nação que for deixada ainda com vida desejará muito mais morrer do que ir viver para onde os espalharei, diz o Senhor dos exércitos celestiais.

Pecado e castigo

Mais uma vez dá-lhes esta mensagem do Senhor: Quando uma pessoa cai, procura levantar-se; se encetou caminho por uma estrada errada, e verifica que se enganou, voltará para trás, até ao cruzamento onde se enganou de direcção. Mas esta gente continua no seu trilho errado, mesmo tendo-os eu avisado. Ouço a conversa deles, e que é que ouço? Ouvirei eu alguém triste por ter pecado? Haverá alguém a dizer, “Que coisa terrível que eu fiz!” Não. Todos eles descem à balda pelo caminho do pecado, tão velozes como cavalos correndo à batalha! Até a cegonha conhece o tempo em que deve emigrar; e o mesmo acontece com outras aves — com a rola, o grou, a andorinha. E todas sabem regressar na altura que Deus lhes indica, em cada ano. Mas isso não é para o meu povo! Não aceitam as leis de Deus.

Como podem dizer, “Nós compreendemos as suas leis”, quando os vossos legisladores as trocaram de forma a poderem significar aquilo que eu nunca disse? Essas pessoas tão sábias que vos ensinam as leis ficarão cobertas de vergonha com o exílio que o vosso pecado vos acarretar, porque rejeitaram a palavra do Senhor. Veremos se nessa altura serão assim tão sabedores! 10 Darei as suas mulheres e as quintas a outros; porque todos eles, grandes e pequenos, profetas e sacerdotes, têm, actualmente, uma só coisa em mente — apossar-se do que não é deles. 11 Tratam as feridas do meu povo com remédios perfeitamente ineficazes, pois que lhe asseguram que tudo vai bem, quando não é nada assim. 12 Serão eles capazes de ter vergonha de adorar outros deuses? Absolutamente que não; nem um bocadinho sequer. Eles nem são capazes de corar! É por isso que hei-de fazer que morram entre os vencidos. 13 Castigá-los-ei com a morte. Os seus figos e as suas uvas desaparecerão, as suas árvores de fruto secarão, desaparecerão em breve todas as boas coisas que preparei para eles.

14/15 Então o povo dirá: “Porque é que havemos então de esperar aqui para morrer? Venham, vamos para as cidades fortificadas e morreremos lá. Porque o Senhor nosso Deus decretou a nossa condenação e nos dá a beber uma taça de veneno, por causa dos nossos pecados. Esperávamos a paz, e não foi paz que tivemos; contávamos com bem-estar, e chega-nos o terror.”

16/17 O ruído da guerra já soa na fronteira do norte. Toda a terra treme à aproximação daquele tremendo exército; porque o inimigo aproxima-se e vai devorando a terra e tudo o que nela encontra — tanto as povoações como as gentes. Porque eu enviarei essas tropas adversárias para o vosso meio como serpentes envenenadas, que ninguém poderá encantar. Façam o que fizerem, elas vos morderão, e vocês hão-de morrer.

18/19 A minha mágoa não tem consolação; o meu coração será destruído. Ouçam o choro do meu povo por toda a terra.

“Onde está o Senhor?”, perguntam eles. “Será que Deus nos abandonou?”

E o Senhor responde-lhes: “Oh! Porque é que eles me provocaram com os seus ídolos esculpidos, com esses ritos perversos e extravagantes?”

20 “Acabou a sega; passou o Verão, e nós não estamos salvos.”

21/22 Choro pela ferida do meu povo; estou espantado, sem fala, mudo de angústia. Já não há remédio em Gileade? Não haverá ali um médico? Porque é que não houve cura para o meu povo?

1/2 Oh! Se os meus olhos fossem uma fonte de lágrimas, haveria de chorar sem cessar; haveria de soluçar noite e dia pela matança que cai sobre o meu povo! Se ao menos eu pudesse fugir, esquecê-los e viver numa cabana qualquer no deserto! Porque são todos gente adúltera e falsa.

“Encurvam as línguas como se fossem arcos, e atiram flechas de mentira. São indiferentes a tudo o que seja rectidão; vão de mal a pior na malícia. Não querem saber de mim para nada”, diz o Senhor.

4/5 Tenham cautela com os vizinhos! Desconfiem do vosso irmão! Andam todos à procura de se enganarem uns aos outros, caluniando-se mutuamente. Com línguas argutas enganam e defraudam os seus próximos; cansam-se, até, a actuar perversamente.

“Amontoam pecados sobre pecados, mentiras sobre mentiras, e recusam obstinadamente virem até mim”, diz o Senhor.

7/8 Contudo o Senhor dos exércitos diz também: “Vejam bem, vou derretê-los numa aflição cruciante. Vou refiná-los e testá-los como se faz ao metal. Aliás que outra coisa mereciam eles que lhes fizesse? Porque as suas línguas atiram mentiras como flechas envenenadas. Falam muito sensatamente aos vizinhos enquanto por trás estão a planear matá-los. Não deveria eu castigá-los por coisas destas?”, pergunta o Senhor. “Não deveria a minha alma vingar-se de gente assim?”

10 Soluçando e chorando, olho para as montanhas, para as pastagens; vejo-as desoladas, sem viva alma. Foi-se o mugido do gado, foi-se o canto das aves, foram-se até os animais selvagens. Todos fugiram.

11 “Farei de Jerusalém montões de ruínas onde só os chacais terão os seus covis. As cidades de Judá não serão mais do que povoações assoladas, onde já ninguém habita.”

12 Quem tem compreensão bastante para entender estas coisas? Onde está o mensageiro do Senhor para explicá-lo? Qual a razão porque esta terra se fez num deserto de tal maneira que até ninguém ousa viajar através dela?

13/14 “Porque”, responde o Senhor, “o meu povo esqueceu-se dos meus mandamentos e não obedeceu às minhas leis. Têm feito só o que lhes agrada e até têm adorado os ídolos de Baal, aliás conforme os pais deles lhes ensinaram. 15/16 Por isso, eis o que o Senhor dos exércitos celestiais, o Deus de Israel, diz: Hei-de alimentá-los com fel, e dar-lhes-ei água envenenada. Espalhá-los-ei pelo mundo, e hão-de ser estrangeiros em terras bem distantes; apesar disso mesmo lá a espada de destruição os perseguirá até serem completamente aniquilados.

17/18 O Deus dos exércitos celestiais diz: Mandem chamar as carpideiras! Depressa! Ponham-se a chorar! Que as lágrimas corram abundantes nos vossos rostos. 19/21 Ouçam Jerusalém chorando de desespero: ‘Estamos arruinados. Caiu-nos a calamidade em cima! Temos de deixar as terras e as casas!’” Ouçam as palavras de Deus, ó mulheres que aí estão a gemer. Ensinem às vossas filhas, às vossas vizinhas, a gemer igualmente. Porque a morte trepou pelas janelas e está a entrar nos vossos lares; já matou a flor da vossa juventude. Não haverá mais crianças brincando nas ruas, nem moços juntando-se nas praças.

22 Diz-lhes isto assim, ordena o Senhor: Haverá corpos lançados através dos campos, como se fossem esterco, como gavela que fica atrás do segador, sem que haja alguém que a apanhe.

23/24 Diz o Senhor: Que o sábio não se orgulhe na sua sabedoria, nem o poderoso na sua força, nem o rico nas suas riquezas. Que tenham orgulho, mas unicamente nisto: Que me conheçam! E que se dêem conta de que eu sou o Senhor da justiça e da rectidão, cujo amor é sem limite. É disso que eu me agrado.

25/26 Veio o tempo, diz o Senhor, em que castigarei todos aqueles que são circuncidados de corpo mas não de espírito — os egípcios, os edomitas, os amonitas, os moabitas, os árabes, e, sim, até vocês, povo de Judá. Porque todas essas gentes pagãs se circuncidam também. Mas vocês, a menos que circuncidem o vosso coração, amando-me, doutra forma a vossa circuncisão não passará dum mero rito pagão, semelhante ao de outros povos, e nada mais.

O Livro (OL)

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