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Atos 4-6O Livro (OL)

Pedro e João perante o conselho judaico

1/2 Enquanto assim falavam ao povo, chegaram os sacerdotes, o comandante da guarda do templo e alguns dos saduceus, muito preocupados por Pedro e João afirmarem, pela autoridade de Jesus, que há ressurreição dos mortos. Prenderam­nos e, uma vez que já era noite, meteram­nos na cadeia, aguardando o dia seguinte. Mas muitas das pessoas que tinham ouvido a sua mensagem acreditaram nela; em consequência, o número de crentes passou para cerca de cinco mil, contando só os homens!

Sucedeu que, no dia seguinte, reunia­se em Jerusalém o conselho de todos os dirigentes, anciãos do povo e mestres da lei. Anás o supremo sacerdote estava presente, e Caifás, João, Alexandre e outros parentes do supremo sacerdote, pelo que os dois discípulos foram levados à sua presença. “Com que poder ou com que autoridade fizeram uma coisa destas?”, perguntou o conselho.

8/11 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse­lhes: “Chefes do povo e anciãos da nossa nação: se se referem ao bem praticado naquele coxo que foi curado, deixem que vos diga claramente, a vós e a todos quantos estão em Jerusalém, que tal acto foi feito em nome e pelo poder de Jesus de Nazaré, o Cristo, o homem que crucificaram mas que Deus ressuscitou. É pela sua autoridade que este se encontra aqui curado! Pois Jesus é:

    ‘A pedra que foi recusada pelos construtores
    e que veio a ser a mais importante do edifício.’

12 Em mais ninguém há salvação! Debaixo do céu não há outro nome que as pessoas possam invocar para serem salvas.”

13/15 Quando os membros do conselho viram a coragem de Pedro e João e perceberam que eram pessoas sem instrução, ficaram pasmados, constatando que tinham realmente estado com Jesus! E como poderiam pôr em dúvida aquela cura quando o antigo coxo se encontrava ali de pé? Mandaram­nos então sair da sala do conselho e puseram­se a discutir o caso entre si.

16/17 “Que vamos fazer com estes homens?”, perguntaram­se uns aos outros. “Não podemos negar que realizaram um milagre assinalável, e toda a gente em Jerusalém tem conhecimento dele. Mesmo assim talvez possamos impedi­los de espalhar a sua propaganda. Vamos ameaçá­los, para que não tornem a falar de Jesus em público.” 18 Assim, voltaram a chamá­los e disseram­lhes que nunca mais falassem de Jesus.

19 Mas Pedro e João responderam: “Acham justo que obedeçamos antes às vossas ordens do que às de Deus? 20 Não podemos deixar de falar no que Jesus fez e disse na nossa presença.”

21/22 O conselho ameaçou­os ainda mais, mas por fim deixou­os ir embora porque não sabia como castigá­los sem provocar uma revolta, pois toda a gente dava louvores a Deus por este milagre maravilhoso da cura de um homem que era coxo há mais de quarenta anos.

A oração dos crentes

23 Logo que se viram em liberdade, Pedro e João foram ter com os outros discípulos e contaram­lhes o que lhes dissera o conselho. 24 Então todos os crentes unidos fizeram esta oração: “Ó Senhor, criador do céu, da Terra, do mar e de tudo quanto neles há, 25/26 falaste há muito tempo pelo Espírito Santo por meio do nosso antepassado o rei David, teu servo, dizendo:

    ‘Porque se revoltam os povos?
    Porque tentam inutilmente enganar?
    Os chefes das nações reúnem­se mais os seus ministros,
        para conspirarem contra o Senhor, e contra o Messias!’

27 Foi o que aconteceu, pois o rei Herodes e Pôncio Pilatos e todos os romanos, além do povo de Israel, encontraram­se unidos contra Jesus, o teu santo Filho, que tu ungiste. 28/30 Mas não fizeram mais do que aquilo que, no teu sábio poder, determinaste que fizessem. Agora, Senhor, escuta as suas ameaças, concede aos teus servos ousadia na pregação. Estende a tua mão para curar e se realizam milagres e maravilhas pelo nome do teu santo servo Jesus!”

31 Depois desta oração o edifício em que se encontravam reunidos estremeceu, e todos foram cheios do Espírito Santo, pregando corajosamente a mensagem de Deus.

Os crentes repartem os seus haveres

32 Todos os crentes tinham um só coração e vontade, e ninguém considerava seu o que lhe pertencia, repartindo os haveres uns com os outros. 33 Os apóstolos davam testemunhos poderosos acerca da ressurreição do Senhor Jesus; havia, sob a bênção de Deus, uma atitude de grande estima da parte de todos para com eles. 34/35 Não se sabia o que era a pobreza, pois quem tinha terras ou casas vendia­as e levava o dinheiro aos apóstolos para que o dessem a outros que padeciam necessidades.

36 Por exemplo, o caso de José, um levita de Chipre, a quem os apóstolos puseram o nome de Barnabé (que quer dizer filho de encorajamento), 37 este vendeu um campo e levou o dinheiro aos apóstolos para que distribuíssem pelos necessitados.

Ananias e Safira

1/2 Houve, também, um homem chamado Ananias que, com sua mulher Safira, vendeu uns bens que tinha e só entregou parte do dinheiro, dizendo no entanto que era o seu preço total; isto, com a cumplicidade da mulher.

Mas Pedro disse­lhe: “Ananias, porque Satanás entrou no teu coração? Quando disseste que este era o preço inteiro, estavas a mentir ao Espírito Santo. A propriedade que tinhas podias vendê­la ou não, conforme quisesses. E, depois de a vender, o dinheiro era teu. Como pudeste fazer uma coisa destas? Não foi a nós que mentiste, mas a Deus.”

5/6 Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto no chão! Toda a gente que soube disto ficou atemorizada. Então alguns jovens cobriram­no com um lençol e levaram­no para o enterrar.

7/8 Passadas cerca de três horas, chegou a mulher, que não sabia do sucedido. Pedro perguntou­lhe: “Foi por este preço assim e assim que venderam o vosso terreno?”

“Sim, foi”, respondeu­lhe ela.

E Pedro disse: “Como pudestes então, tu e o teu marido, fazer uma coisa destas para enganar o Espírito Santo? Olha, ali mesmo à porta estão os jovens que foram enterrar o teu marido e que te vão levar a ti também.”

10/11 Imediatamente tombou morta por terra; os mesmos jovens entraram e, vendo que tinha morrido, levaram­na e enterraram­na ao lado do marido. Um grande temor se apossou da igreja inteira e de todos os que souberam do caso.

Os apóstolos curam muitos doentes

12/13 Entretanto, os apóstolos faziam muitos e notáveis milagres e maravilhas entre o povo. E os crentes reuniam­se regularmente no templo, no local conhecido pelo Alpendre de Salomão. Ninguém mais se atrevia a juntar­se a eles, mas o povo tinha­os na maior consideração. 14 E cada vez mais pessoas criam no Senhor — uma multidão de homens e mulheres. 15 Como resultado do trabalho dos apóstolos, chegavam a levar os doentes para a rua deitados em camas ou esteiras, para que ao menos a sombra de Pedro lhes tocasse quando o apóstolo passava por ali! 16 E também dos arredores de Jerusalém vinham gentes que traziam os enfermos e os possessos pelos demónios, e todos eram curados.

Os apóstolos são perseguidos

17/18 O supremo sacerdote, mais os seus amigos, que eram saduceus, sentiram tanta inveja que acabaram por prender os apóstolos, metendo­os na prisão. 19/20 De noite, porém, veio um anjo do Senhor que, abrindo os portões da cadeia e trazendo os presos para a rua, lhes disse: “Vão para o templo e preguem ao povo tudo acerca desta vida nova.” 21 Rompia já a manhã quando chegaram ao templo, e logo começaram a ensinar.

Entretanto o supremo sacerdote e a sua comitiva chegaram também ao templo e, reunindo o conselho judaico juntamente com os ansiãos do povo, mandaram que os apóstolos fossem trazidos da prisão a fim de serem julgados. 22 Mas, quando os guardas chegaram ao cárcere, os presos já lá não estavam, pelo que, regressando ao conselho, disseram: 23 “As portas da prisão estavam fechadas e os guardas vigiavam no exterior, mas, quando abrimos os portões, não havia ninguém lá dentro!”

24 Ao ouvirem isto, o chefe da guarda e os principais dos sacerdotes ficaram perplexos sem saberem o que acontecera, nem no que tudo aquilo iria dar. 25 Depois chegou alguém com a notícia que os homens que haviam metido na prisão se encontravam ali mesmo, no templo, ensinando o povo! 26 O comandante da guarda foi então com os seus oficiais e prendeu­os, mas sem violência, pois receavam que o povo os matasse se maltratassem os discípulos; 27 e assim os levaram à presença do conselho.

28 “Não vos dissemos que nunca mais falassem nesse tal Jesus?”, perguntou o supremo sacerdote. “Em vez disso, encheram toda a Jerusalém com o vosso ensino, e pretendem lançar sobre nós a culpa da morte desse homem!”

29 Mas Pedro e os apóstolos responderam: “Devemos obedecer mais a Deus do que aos homens. 30 O Deus dos nossos antepassados trouxe Jesus de novo à vida após o terem morto, pendurando­o numa cruz. 31 Depois, com enorme poder, Deus glorificou­o, dando­lhe o lugar de honra, à sua mão direita, como Príncipe e Salvador, para que o povo de Israel tivesse uma oportunidade de arrependimento e de perdão para os seus pecados. 32 Somos testemunhas destas coisas, como o é também o Espírito Santo dado por Deus a todos quantos lhe obedecem.”

33/36 Ao ouvir estas palavras, o conselho ficou encolerizado e resolveu matá­los. Mas um dos membros, um fariseu chamado Gamaliel, muito entendido em leis religiosas e muito popular entre o povo, levantou­se e pediu que mandassem os apóstolos sair da sala por um pouco. Disse então: “Homens de Israel, cuidado, vejam bem o que vão fazer com estas pessoas! Há algum tempo apareceu esse tal Teudas, que se julgava indivíduo importante. Juntaram­se­lhe cerca de quatrocentos partidários, mas acabou por ser morto, e os que o seguiram foram facilmente dispersos. 37 Depois dele, na altura do recenseamento, apareceu Judas da Galileia, que arrastou atrás de si uns discípulos, mas também morreu e os seus seguidores foram igualmente dispersos.

38 Por isso o que vos aconselho é que deixem estes homens em paz. Se o que ensinam e fazem é só deles, em breve desaparecerão. 39 Mas, se for obra de Deus, não poderão impedi­los, não vá acontecer vocês acabarem por lutar contra o próprio Deus.”

40 O conselho aceitou esta opinião e, chamados os apóstolos, mandou­os açoitar e disse­lhes que nunca mais falassem no nome de Jesus, deixando­os finalmente ir­se embora. 41 Os apóstolos saíram da sala do conselho, contentes por Deus os ter considerado dignos de sofrer desonra pelo seu nome. 42 E todos os dias, no templo e de casa em casa, continuaram a ensinar e a pregar que Jesus era o Cristo.

A escolha dos sete diáconos

Mas, com os crentes a aumentarem tão rapidamente em número, havia no seu seio murmúrios de descontentamento. Os que só falavam grego queixavam­se de que as suas viúvas eram postas à margem e de que não lhes davam tanta comida na distribuição diária como às viúvas que falavam hebraico.

2/4 Então os doze combinaram uma reunião com os crentes: “Nós apóstolos devíamos gastar o nosso tempo a pregar e não a distribuir a comida”, disseram. “Agora, pois, irmãos, escolham de entre vocês mesmos sete homens sensatos, cheios do Espírito Santo, que gozem de consideração geral, e encarregá­los­emos deste importante trabalho. Só assim poderemos dedicar tempo à oração, pregação e ensino.”

5/6 Isto pareceu razoável a toda a assembleia, que escolheu as seguintes pessoas: Estêvão, homem de fé extraordinária e cheio do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timom, Parmenas e Nicolau de Antioquia, um gentio que se convertera à fé judaica e, mais tarde, ao cristianismo. Estes sete foram apresentados aos apóstolos, que oraram por eles e os abençoaram, pondo sobre eles as mãos.

A mensagem de Deus era pregada a um auditório cada vez maior, e o número dos discípulos aumentava enormemente em Jerusalém, tendo­se convertido também muitos dos sacerdotes.

8/10 Estêvão, cheio de graça e do poder de Deus, realizava milagres espantosos entre o povo. Mas, um dia, alguns homens da chamada Sinagoga dos Homens Livres começaram a discutir com eles. Eram judeus de Cirene, de Alexandria no Egipto, das províncias da Cilícia, e da província daÁsia. Mas nenhum deles pôde resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual Estêvão falou.

11 Então arranjaram falsas testemunhas para afirmarem que o tinham ouvido amaldiçoar Moisés e o próprio Deus. 12/14 Esta acusação provocou a fúria da multidão, dos anciãos do povo e dos mestres da lei contra Estêvão. Eles prenderam­no e levaram­no perante o conselho. As testemunhas falsas tornaram a afirmar que Estêvão falava constantemente contra o templo e contra as leis de Moisés: “Ouvimos da sua boca que esse tal Jesus de Nazaré há­de destruir o templo e abolir toda a lei de Moisés”. 15 Neste ponto, todos os que estavam na sala do conselho viram o rosto de Estêvão ficar como o de um anjo.

O Livro (OL)

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