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Atos 21-23O Livro (OL)

Paulo a caminho de Jerusalém

21 1/2 Depois de nos termos separado dos pastores de Éfeso, fizemo­nos de vela directamente para Cós. No dia seguinte, chegámos a Rodes, prosseguindo para Pátara. Ali, tomámos um navio que ia partir para a província síria da Fenícia. Avistámos a ilha de Chipre, que deixámos à nossa esquerda, e desembarcámos no porto de Tiro, na Síria, onde o barco foi descarregado. Entrámos então em contacto com os crentes da terra, ficando com eles durante uma semana. Estes discípulos profetizaram pelo Espírito Santo que Paulo não devia ir para Jerusalém. 5/6 No fim da semana, quando voltámos para bordo, todos os crentes, incluindo mulheres e crianças, nos acompanharam até à praia, onde orámos ajoelhados e nos despedimos. Depois embarcámos e eles voltaram para casa.

A paragem seguinte, depois de sairmos de Tiro, foi Ptolemaida, onde saudámos os crentes, demorando­nos, porém, só um dia. Seguimos então para Cesareia e ficámos em casa de Filipe, o evangelista, um dos primeiros sete diáconos. Tinha ele quatro filhas solteiras que possuíam o dom da profecia.

10/11 Durante a nossa estada de vários dias, fomos visitados por um homem chamado Ágabo, vindo da Judeia, que também tinha o dom da profecia . Pegando no cinto de Paulo, amarrou os seus próprios pés e mãos com ele, disse: “Assim diz o Espírito Santo: O homem a quem este cinto pertence será semelhantemente amarrado pelos judeus em Jerusalém e entregue aos romanos.”

12 Ao ouvirmos isto, todos nós, os crentes locais e os companheiros de Paulo, pedimos ao apóstolo que não continuasse viagem para Jerusalém. 13 Mas ele respondeu: “Para que é todo este pranto? Magoam­me o coração, pois estou pronto, não só a ser preso em Jerusalém, como também a morrer por amor do Senhor Jesus.” 14 Quando não havia dúvidas de que era impossível desviar Paulo da sua decisão, desistimos e dissemos: “Faça­se a vontade do Senhor.”

Chegada de Paulo a Jerusalém

15/17 Assim, passado pouco tempo, juntámos a bagagem e partimos para Jerusalém. Alguns discípulos de Cesareia acompanharam­nos e levaram­nos à casa de Mnason, natural de Chipre e um dos primeiros crentes; e todos os irmãos em Jerusalém nos acolheram cordialmente.

18/19 No segundo dia, Paulo levou­nos consigo para nos encontrarmos com Tiago e com os anciãos da igreja de Jerusalém. Trocadas saudações, Paulo contou as muitas coisas que Deus fizera entre os gentios através do seu trabalho para Deus.

20 Eles louvaram Deus, mas disseram: “Sabes, irmão, quantos milhares de judeus creram também, e todos eles insistem em que os crentes judaicos devem continuar a seguir as tradições e costumes do seu povo. 21 Os nossos judeus cristãos aqui em Jerusalém ouviram dizer que és contra as leis de Moisés, contra os nossos costumes judaicos, e que proíbes a circuncisão dos seus filhos. 22 E agora, que fazer? Sem dúvida saberão que estás de volta.

23 Lembrámo­nos do seguinte: temos aqui quatro homens que se preparam para rapar a cabeça e fazerem um voto. 24 Vai com eles ao templo, rapa também a tua cabeça e paga para que a deles seja também rapada. Assim, todos ficarão a saber que não é verdade o que andam a dizer de ti, e que respeitas a lei.

25 Quanto aos cristãos que são gentios, não lhes pedimos que sigam estes costumes judaicos, excepto aquilo que já escrevemos: que se abstenham das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne não sangrada de animais estrangulados e da imoralidade sexual.”

26 Paulo no dia seguinte foi com os tais homens ao templo para a referida cerimónia, anunciando, assim, publicamente o seu voto de oferecer um sacrifício sete dias depois, com os outros.

Paulo é preso

27/28 Os sete dias tinham quase acabado quando alguns judeus da pronvíncia da Ásia o viram no templo e, incitando a multidão contra ele, o agarraram, gritando: “Gente de Israel, venham cá todos! É este o homem que prega contra o nosso povo e que diz a toda a gente para desobedecer às leis judaicas. Até fala contra este lugar, e profana­o, trazendo gentios!” 29 (É que, naquele mesmo dia, tinham­no visto na cidade com Trófimo, gentio de Éfeso, julgando que Paulo o levara ao templo.)

30/32 Toda a população da cidade ficou alvoraçada com estas acusações, e seguiu­se grande tumulto. Paulo foi arrastado para fora do templo, cujos portões logo se fecharam. Enquanto procuravam matá­lo, o comandante da guarnição romana foi informado de que toda Jerusalém estava agitada. Imediatamente mandou aos seus soldados e oficiais que saíssem, e ele próprio veio verificar o que se passava. Ao ver que as tropas se aproximavam, a multidão parou de espancar Paulo.

33/34 O comandante prendeu­o, mandou que o acorrentassem com correntes dobradas e perguntou à multidão quem era e o que fizera. Uns gritavam uma coisa, outros outra. Vendo que, naquele tumulto e confusão, não conseguia entender nada, ordenou que o levassem para a fortaleza. 35 Ao chegarem às escadas, a multidão mostrou­se tão violenta que os soldados levantaram Paulo aos ombros para o proteger, 36 enquanto o povo se comprimia por detrás, gritando: “Matem­no, matem­no!”

Paulo fala à multidão

37 Ao ser levado para dentro, Paulo perguntou ao comandante: “Posso dizer uma coisa?”

“Sabes grego?”, perguntou por sua vez o comandante. 38 “Não és aquele egípcio que chefiou a revolta há uns tempos atrás e levou consigo quatro mil revoltosos para o deserto?”

39 “Não”, respondeu Paulo. “Sou judeu de Tarso, na Cilícia, uma cidade bastante importante. Peço autorização para falar a esta gente.”

40 O comandante concordou, e Paulo, de pé nos degraus, fez um gesto ao povo para que se acalmasse. Em breve houve silêncio e Paulo disse, em aramaico, o seguinte:

22 “Irmãos e pais, escutem­me no que vou dizer­vos em minha defesa.” Quando o ouviram falar em aramaico, o silêncio tornou­se ainda maior.

“Sou judeu, nascido em Tarso, cidade da Cilícia, mas educado aqui em Jerusalém sob o ensino de Gamaliel, a cujos pés aprendi a seguir com muito cuidado as nossas leis e costumes. O meu anseio era honrar Deus em tudo o que fazia, tal como vocês procuram fazer hoje. 4/5 Assim, persegui os seguidores do Caminho até à morte, prendendo e entregando à prisão tanto homens como mulheres. O supremo sacerdote pode confirmá­lo, ou até qualquer membro do conselho, pois pedi­lhes que passassem cartas para os dirigentes judaicos em Damasco com instruções para me deixarem trazer acorrentado para Jerusalém qualquer cristão que encontrasse, para ser castigado.

6/7 Ia eu pela estrada fora, já perto de Damasco, quando, subitamente, cerca do meio­dia, brilhou em torno de mim uma luz muito forte vinda do céu. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, porque me persegues?’

‘Quem és tu, Senhor?’, perguntei.

‘Sou Jesus de Nazaré, aquele a quem persegues.’ Os homens que estavam comigo viram a luz mas não compreenderam as palavras.

10 E eu disse: ‘Que devo eu fazer, Senhor?’

E o Senhor disse­me: ‘Levanta­te, entra em Damasco e aí será dito o que deves fazer.’

11/13 A luz era tão forte que deixei de ver e tive de ser conduzido para Damasco pelos meus companheiros. Aí, Ananias, homem obediente a Deus, que observava escrupulosamente a lei e que gozava da consideração de todos os judeus de Damasco, veio ver­me e, chegando­se junto de mim, disse: ‘Irmão Paulo, recupera a vista!’ E naquele momento consegui vê­lo.

14 Então disse­me: ‘O Deus de nossos pais escolheu­te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvi­lo falar. 15 Deverás levar a sua mensagem a toda a parte, contando o que viste e ouviste. 16 Agora, não te demores. Levanta­te e vai baptizar­te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.’

17/18 Um dia depois do meu regresso a Jerusalém, quando orava no templo, tive uma visão em que Jesus me disse: ‘Apressa­te, sai de Jerusalém, pois não te acreditarão quando tu lhes falares acerca de mim.’

19 ‘Senhor’, respondi, ‘eles sabem, sem dúvida, que meti na prisão e espanquei os membros de todas as sinagogas que criam em ti. 20 E quando a tua testemunha, Estêvão, foi morta, lá estava eu manifestando a minha aprovação ao tomar conta da roupa dos que o apedrejavam.’

21 Mas o Senhor disse­me: ‘Sai de Jerusalém, pois vou mandar­te para longe, para os gentios!’”

Paulo, o cidadão romano

22/23 A multidão escutou Paulo até ele dizer aquela palavra; mas, ao ouvi­la, todos gritaram a uma só voz: “Fora com esse homem! Matem­no! Não é digno de viver!”, clamando e lançando ao ar as túnicas, de mistura com terra.

24/25 Então o comandante levou­o para dentro e ordenou que fosse açoitado para que confessasse o crime, pois pretendia descobrir por que motivo a multidão se enfurecera daquela maneira. Quando estavam a amarrar Paulo para o açoitar, este disse a um oficial que se encontrava perto: “Será legal chicotear um cidadão romano que nem sequer foi julgado?”

26 O oficial falou com o comandante e avisou­o: “Veja lá o que vai fazer! Trata­se de um cidadão romano!”

27 O comandante foi ter com Paulo e perguntou­lhe: “Diz­me, és cidadão romano?”

“Sou, sim”, respondeu Paulo.

28 “Também eu”, murmurou o comandante, “e esse direito custou­me muito dinheiro!”

“Mas eu sou cidadão romano por nascimento!”

29 Os soldados que se preparavam para interrogar Paulo foram­se logo embora quando souberam que era um cidadão romano, e o próprio comandante ficou assustado por ter mandado que o amarassem e açoitassem.

Paulo é levado ao conselho judaico

30 No dia seguinte, tirou­lhe as cadeias, mandou convocar os principais dos sacerdotes para uma sessão com o conselho judaico, e trouxe Paulo para, na presença deles, descobrir a causa daqueles tumultos.

23 Fitando o tribunal, Paulo começou por dizer: “Irmãos, tenho sempre vivido diante de Deus com a consciência limpa!”

2/3 Logo Ananias, o supremo sacerdote, mandou aos que se encontravam junto de Paulo que lhe batessem na boca. Paulo disse­lhe então: “Deus o castigará a si, hipócrita! Que espécie de juiz é o senhor, que viola a lei ordenando que me batam?”

Os que estavam perto de Paulo disseram­lhe: “É assim que falas ao supremo sacerdote de Deus?”

“Não sabia que era o supremo sacerdote, irmãos”, respondeu Paulo, “pois as Escrituras dizem: ‘Nunca fales mal do chefe do teu povo’.”

Entretanto Paulo, sabendo que o conselho era formado em parte por saduceus e em parte por fariseus, disse bem alto: “Irmãos, sou fariseu, como o foram todos os meus antepassados, e se hoje estou aqui a ser julgado, é porque acredito na ressurreição dos mortos!”

7/8 Isto imediatamente dividiu o tribunal, fariseus contra saduceus, pois estes últimos dizem que não há ressurreição, nem anjos, nem espírito, mas os fariseus acreditam em todas estas coisas.

Houve pois grande balbúrdia, e alguns dos mestres da lei religiosa aproveitaram a ocasião para afirmar que Paulo não era culpado: “Nada vemos de mal nele”, gritavam. “Pode muito bem ser que um espírito ou um anjo lhe tenha falado.” 10 A gritaria era cada vez maior; o tumulto aumentava de tal forma que o comandante, receoso de que o despedaçassem, ordenou aos soldados que o tirassem dali pela força e o levassem novamente para a fortaleza.

11 Naquela noite, o Senhor apareceu junto de Paulo e disse­lhe: “Nada receies, Paulo; assim como me anunciaste ao povo aqui em Jerusalém, fá­lo­ás também em Roma”.

O plano para matar Paulo

12/13 Na manhã seguinte, uns quarenta ou mais judeus juntaram­se e fizeram um juramento de não comer nem beber até que tivessem morto Paulo. 14 Seguidamente, foram ter com os principais dos sacerdotes e com os anciãos do povo, dizendo­lhes o que tinham feito. “Fizemos um juramento de não comer nem beber até termos morto Paulo. 15 Peçam ao comandante que torne a trazer Paulo ao conselho”, rogaram. “Façam de contas que querem fazer­lhe mais algumas perguntas e matá­lo­emos no caminho.”

16/17 Mas o sobrinho de Paulo teve conhecimento deste plano e foi à fortaleza revelá­lo ao tio. Paulo, chamando um dos oficiais, disse: “Leve este rapaz ao comandante porque tem uma coisa importante a revelar­lhe”.

18 O oficial assim fez, explicando: “Paulo, o prisioneiro, chamou­me e pediu­me para trazer aqui este jovem, que tem qualquer coisa a revelar”. 19 O comandante pegou no rapaz pela mão e, levando­o à parte, perguntou­lhe: “Que me queres dizer?”

20/21 O sobrinho de Paulo disse­lhe: “Amanhã os judeus vão pedir que Paulo compareça novamente perante o tribunal com o pretexto de obterem mais algumas informações. Mas não o faça! Há mais de quarenta homens de emboscada no caminho prontos a matarem­no. Juraram não comer nem beber sem o liquidarem primeiro. Já lá estão, esperando que o seu pedido seja atendido.”

22 “Que ninguém saiba que me contaste isto”, avisou o comandante, mandando embora o rapaz.

Paulo é levado para Cesareia

23 Seguidamente, chamou dois dos seus oficiais e ordenou: “Destaquem duzentos soldados para que estejam prontos para partir para Cesareia às nove horas desta noite! Levem duzentos lanceiros e setenta homens de cavalaria. 24 Dêem uma montada a Paulo e conduzam­no em segurança ao governador Félix.” 25 Escreveu também esta carta ao governador:

26/30     “Cláudio Lisias,
        para Sua Excelência o Governador Félix:

Saudações!

Este homem foi detido pelos judeus. Estavam a ponto de o matar quando enviei soldados para o livrar, pois soube que era cidadão romano. Depois, levei­o perante o conselho dos judeus para procurar saber o que fizera. Descobri que se tratava de qualquer coisa respeitante às crenças judaicas, sem dúvida nada que merecesse prisão ou morte. Mas, quando fui informado duma conspiração para o matar, resolvi mandá­lo à vossa presença, e os acusadores que vos apresentem a sua queixa.”

31/32 Naquela noite, de acordo com as ordens dadas, os soldados levaram Paulo para Antipatris. Na manhã seguinte a guarda que ia a pé regressou à fortaleza, deixando­o com a cavalaria, que o escoltou no resto do caminho até Cesareia. 33/34 Quando chegaram a Cesareia, apresentaram Paulo e a carta ao governador que, depois de a ler, perguntou a Paulo de onde era. “Da Cilícia”, respondeu.

35 “Quando os seus acusadores chegarem, estudarei o caso a fundo”, disse­lhe o governador, mandando que o metessem na prisão no palácio do rei Herodes.

O Livro (OL)

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