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1 Samuel 25-27O Livro (OL)

David, Nabal e Abigail

25 Algum tempo depois morreu Samuel e todo o Israel se juntou para o funeral, sepultando-o no local próprio da sua família, em Ramá.

Entretanto David desceu para o deserto de Parã. Havia um homem rico de Maom que tinha uma grande propriedade para criação de gado perto da aldeia de Carmelo. Possuia três mil ovelhas e um milhar de cabras. Naquela altura encontrava-se na sua quinta tosquiando as ovelhas. O seu nome era Nabal, e a sua mulher, que era bela e inteligente, chamava-se Abigail. No entanto aquele indivíduo, descendente de Calebe, tinha um mau carácter e uma natureza ruim.

4/5 Ao ouvir que Nabal estava a tosquiar as ovelhas, David mandou dez dos seus companheiros a Carmelo com esta mensagem: 6/8 “Que o Senhor aumente a tua prosperidade, bem como a da tua família, e que tenhas muita paz, tu e todos os teus! Disseram-me que estás a tosquiar os animais. Hás-de saber certamente que aos teus pastores, enquanto estiveram no nosso meio, nunca lhes aconteceu qualquer mal, e nada lhes faltou enquanto estiveram no Carmelo. Pergunta-lhes e verás se é ou não assim. Agora, envio-te aqui alguns dos meus homens para te pedir um donativo, pois sabemos que é uma altura de fartura para ti. Por favor, dá-nos qualquer coisa do que tiveres à mão.” Os moços de David deram o recado e ficaram à espera.

10/11 “Mas quem é esse David”, exclamou. “Quem pensa, esse filho de Jessé, que é ele? Há montes de servos nestes tempos que correm, fugidos aos seus senhores, porque é que eu havia de pegar no meu pão, na minha água, na carne das reses que eu abati para os meus criados e dá-la a um bando de gente que aparece não se sabe donde?” 12 Os mensageiros de David voltaram para trás e contaram-lhe a resposta de Nabal.

13 “Peguem nas espadas!”, foi a resposta de David, enquanto embainhava a sua. Quatrocentos partiram com ele e duzentos ficaram a guardar as bagagens.

14/17 Entretanto, um dos criados de Nabal foi contar tudo a Abigail: “David mandou cá uns homens seus, desde o deserto, que falaram com muito boas maneiras ao nosso amo, mas este insultou-os e pô-los na rua. E é verdade que a gente de David nos tratou sempre bem e nada sofremos enquanto estivemos com eles; a bem dizer, de dia e de noite, eles eram como um muro de protecção para nós e para o gado; nada nos foi roubado durante todo o tempo que estivemos com eles. Vê bem o que há a fazer, porque as coisas vão correr mal para o nosso amo e a sua família — ele tem tão mau feitio que ninguém pode falar com ele!”

18 Então Abigail preparou à pressa duzentos bolos de farinha, dois odres de vinho, cinco ovelhas guisadas, setenta litros de grão torrado, cem bolos de passas, duzentos bolos de figo e carregou tudo em jumentos, dizendo ao criados: 19 “Vão já andando com isso, que eu vou a seguir.” Mas não disse nada ao marido.

20 Quando ela vinha a caminho montada no seu jumento, encontrou-se com David. 21/22 David tinha vindo a pensar durante a marcha: “Ora aqui está como nos fartámos de fazer bem a este indivíduo, sem recompensa alguma. Protegemos-lhe os rebanhos no deserto de tal forma que nada lhes foi roubado nem lhes faltou, e agora paga-nos desta maneira o bem que lhe fizemos. Tudo o que acabámos por receber foi insultos. Que Deus me castigue se até amanhã de manhã ficar vivo algum homem naquela casa!”

23 Abigail ao ver David desmontou rapidamente e inclinou-se. 24 “Recaia sobre mim a culpa disto tudo, meu senhor”, disse. “Peço-te que ouças aquilo que pretendo dizer-te. 25 Nabal é um homem mau; por favor não ligues ao que diz. É um louco, aliás tal como o seu nome indica. Mas a questão é que eu não soube da vinda dos teus mensageiros. 26 E agora, sendo que o Senhor te impediu de matares e de te vingares por tuas próprias mãos, a minha oração a Deus, a favor da tua vida, é que todos os teus inimigos sejam tão castigados como Nabal for.

27/31 Portanto, aqui está um presente que vos trouxe, para ti e para os teus homens. Perdoa-me a ousadia em ter vindo até aqui. O Senhor certamente te recompensará com uma realeza firme, assim como aos teus descendentes, pois que combates as guerras do Senhor, e nunca se viu que agisses erradamente em toda a tua vida. Mesmo quando és perseguido por aqueles que procuram tirar-te a vida, o Senhor teu Deus te protege como se estivesses na palma da sua mão! Mas as vidas dos teus inimigos desaparecerão como pedras atiradas numa funda. Quando o Senhor tiver cumprido todas as coisas que te prometeu e te tiver feito rei de Israel, certamente não quererás ter a consciência dum assassino, que procurou fazer justiça por suas próprias mãos! Portanto, quando o Senhor tiver realizado todas essas grandes coisas a teu favor, peço-te que te lembres de mim!”

32 David respondeu a Abigail desta forma: “Seja bendito o Senhor Deus de Israel que te mandou ao meu encontro neste dia! 33/34 Graças a Deus pelo teu bom senso! Abençoada sejas tu por me teres impedido de matar um homem e de me ter vingado por minhas próprias mãos. Porque, com efeito, juro-te pelo Senhor, o Deus de Israel, que me guardou de te fazer mal, que se não tivesses vindo ao meu encontro, nenhum dos homens de Nabal estaria com vida amanhã de manhã.” 35 David aceitou os presentes e disse-lhe que regressasse a casa sem temor, porque não lhe mataria o marido.

36/38 Quando ela chegou a casa verificou que Nabal tinha dado uma grande festa e que estava a cair de bêbado; por isso nada lhe disse do seu encontro com David até chegar à manhã seguinte. Nessa altura, estando Nabal já recuperado da embriaguês, quando ela lhe contou tudo o que acontecera, ele teve um ataque e caiu paralisado; ficou assim durante dez dias, até que morreu. Foi o Senhor quem lhe tirou a vida.

39 Ao ouvir da morte dele David disse: “Louvado seja o Senhor! Deus deu a Nabal a recompensa que merecia e preservou-me de ser eu a fazê-lo. Recebeu assim a paga do seu pecado.” David enviou então mensageiros ter com Abigail, pedindo-lhe que se tornasse sua mulher.

40/42 Quando chegaram a Carmelo e lhe apresentaram o pedido, ela aceitou e aprontou-se para partir. Levou consigo cinco das suas moças, montou no jumento e foi com os homens de David. Assim se tornou mulher de David.

43/44 David casou também com Ainoã de Jezreel. O rei Saul entretanto tinha obrigado a primeira mulher de David, Mical sua filha, a casar com um indivíduo de Galim chamado Palti, filho de Laís.

David poupa de novo a vida de Saul

26 1/2 Os homens de Zife vieram ter com Saul em Gibeá dizer-lhe que David tinha voltado para o deserto e estava escondido nas colinas de Haquila. Saul reuniu a tropa de elite, com três mil combatentes e foi em sua perseguição. 3/4 Acampou junto à estrada, à entrada do deserto em que David se escondia; mas David, sabendo da sua vinda, enviou espias para lhe estudar os movimentos.

5/7 Uma noite David esgueirou-se pelo acampamento de Saul. Este, acompanhado do general Abner, estavam a dormir no centro do acampamento, rodeado de soldados.

“Há algum voluntário que queria vir comigo até ali?”, perguntou David a Aimeleque (o heteu) e a Abisai (irmão de Joab e filho de Zeruía.)

“Vou eu”, respondeu Abisai. Desceram ambos até ao lugar em que estava Saul e viram que estava a dormir, com a lança ao lado, no chão. “Deus pôs-te o teu inimigo nas mãos, sem dúvida alguma”, sussurrou Abisai a David. “Deixa-me ir a mim atravessá-lo com a lança. Cravo-o no chão. Faço de um só golpe!”

9/11 “Não. Não o matarás. Quem é que seria considerado inocente depois de ter morto aquele que Deus escolheu como rei? Deus certamente que o castigará um dia, e virá a morrer, ou numa batalha ou simplesmente de velho. Mas que Deus nunca permita que eu venha a matar aquele que foi escolhido por ele para ser rei! Vou-te dizer o que faremos — tiramos-lhe a lança e a bilha de água e vamo-nos daqui!”

12/13 David pegou na lança, na bilha de água, e foram-se ambos embora sem que ninguém desse por coisa nenhuma, nem sequer acordasse, pois que tinha sido Deus mesmo que os tinha posto a dormir. Subiram a encosta do monte que estava em frente ao acampamento e puseram-se a uma distância segura. 14 Então David gritou para Abner e para Saul: “Acorda, Abner!”

“Quem é que está a chamar?”, perguntou Abner.

15/16 “Então, Abner, és um militar exemplar!”, disse David com ironia. “Onde é que se encontraria em Israel uma pessoa assim? Mas olha que não soubeste guardar o teu senhor, o rei, quando houve alguém que veio para matá-lo! Isso não é bom sinal! Garanto-te, em nome do Senhor, que deverias morrer por causa da tua incúria. Repara só, onde estão a lança e a bilha de água que estavam à cabeceira do rei?

17/18 Saul reconheceu a voz de David e disse: “És tu, David meu filho?”

“Sim, senhor, sou eu. Porque me persegues tu? Que fiz eu? Qual é o meu crime? 19 Se foi o Senhor quem te incitou contra mim, então que ele aceite a minha oferta de paz. Mas se tudo isto não for mais do que o fruto da vontade dum homem, então que esse homem seja amaldiçoado por Deus. Tu fizeste que fugisse da minha casa, e não posso viver com o povo do Senhor; têm chegado a propôr-me prestar culto a deuses estranhos. 20 Estarei eu destinado a morrer em terra estrangeira, longe da presença de Jeová? Porque é que o rei de Israel haveria de correr atrás da minha vida, como se fosse atrás duma perdiz dos montes?”

21 Então Saul confessou: “Actuei erradamente. Regressa a casa, meu filho, e nunca mais te hei-de fazer mal; porque hoje poupaste-me a vida. Tenho sido como um louco, e errei profundamente.”

22/24 “Aqui está a tua lança, meu senhor”, respondeu David. “Que um dos vossos moços venha aqui buscá-la. O Senhor recompensa cada um pela sua rectidão e pela sua lealdade. Quanto a mim, ele bem viu que recusei matar-te mesmo tendo-te, o Senhor, posto entre as minhas mãos. Agora, que o Senhor guarde a minha vida, tal como eu poupei a tua hoje. Que o Senhor me livre de todas as minhas tribulações.”

25 E Saul disse a David: “Que Deus te abençoe, meu filho David. Tu farás grandes coisas e serás um grande guerreiro.” Então David foi-se embora e Saul voltou para o sítio onde estava antes.

David entre os filisteus

27 No entanto David continou a pensar consigo mesmo: “Pode ainda acontecer que Saul me apanhe. O melhor é tentar a minha sorte entre os filisteus, até que Saul realmente desista e acabe de perseguir-me. Só então estarei seguro novamente.”

2/4 Por isso, pegou nos seus seiscentos homens, e com as famílias, e foi viver para Gate, sob a protecção do rei Aquis. Tinha consigo as suas duas mulheres — Ainoã de Jezreel e Abigail de Carmelo, a viúva de Nabal. Saul veio a saber, em breve, que David tinha fugido para Gate, e parou de o perseguir.

Um dia David disse a Aquis: “Meu senhor, se não te parecesse mal, nós gostaríamos de viver antes numa das cidades da província, e não aqui na capital.”

6/7 Então Aquis deu-lhe Ziclague (cidade essa que ainda hoje pertence aos reis de Judá) e ali viveram entre os filisteus durante um ano e quatro meses.

David e os seus homens passavam ao tempo fazendo incursões sobre os gesuritas, os girzitas e os amalequitas (povos filisteus que vivera perto de Sur, ao longo do caminho do Egipto, desde tempos remotos). Não deixavam alma viva nas localidades sobre que caiam, e traziam como despojo carneiros, bois, jumentos e camelos, além de vestuário, quando regressavam a casa.

10/12 “Então, hoje, onde foi a vossa incursão?”, perguntava-lhes Aquis, quando voltavam.

E David respondia: “Caímos sobre o sul de Judá, sobre o povo jerameelita e sobre os queneus.” Porque não ficava ninguém vivo para vir dizer onde eles tinham estado realmente. Fizeram isto muitas vezes enquanto viveram no meio dos filisteus. Aquis acreditava no que David dizia e pensava que o povo de Israel devia aborrecê-lo profundamente. “Ele agora vê-se obrigado a ficar aqui e a servir-me até ao fim da vida!”, pensava o rei.

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